Num mundo cada vez mais digital, são imperativos (por consequência do progresso) ajustes no mercado de trabalho: desde a mentalidade, cultura, ferramentas de captação e retenção de talentos às próprias condições oferecidas pelas empresas e o valor acrescentado ao equilíbrio emocional que estas podem trazer, no espaço de trabalho.

Depois dos Millenials, falamos agora numa Geração Z (Gen Z), identificados como nativos digitais, onde a internet deixa de ser novidade e passa a ser uma constante. Crescem numa realidade onde se vem a recuperar a taxa de desemprego, onde a mudança impera e onde aliam aos conhecimentos tecnológicos e de social media, uma vontade enorme de fazer acontecer e uma consciência social excepcional. Aqui estão incluídos todos aqueles nascidos depois de 1995.

Sabemos que raros são os casos de processos de recrutamento onde não existe a intervenção digital, desde a candidatura, ao preenchimento de formulários ou à realização de testes online. De acordo com um estudo da PSI Services LLC, existiu um aumento na ordem dos 30% da utilização do smartphone para a realização de alguma fase do processo, nos últimos cinco anos.

Porém também é verdade, e estudos, como “Nascer em Portugal já não é o que era: factos e tendências, INE”, revelam que o facto de nascerem nestas circunstâncias, leva a preferirem o contacto humano em muitas situações, nomeadamente no que ao foro profissional diz respeito. De acordo com um inquérito realizado pela Kronos, 75% dos inquiridos revelou preferir receber feedback do seu responsável pessoalmente, e 50% dos mesmos disseram preferir o trabalho em equipa/com colegas de trabalho presencial.

Na Gen Z não existe um foco no planeamento de carreira, existe agora uma valorização das oportunidades de desenvolvimento, da relação chefia-colaborador, da flexibilidade, da experiência vivida no espaço organizacional e até dos bootcamps promovidos. Sabemos que o fluxo de candidatos já não é interminável, como já foi no passado, e portanto isto leva às empresas a reformularem e adotarem novas estratégias e ferramentas.

Coloca-se uma questão: estarão estes “makers” a assumir o comando no mercado de trabalho?

 

Ana Castro
HR Consultant Engineering & Industry
Wyser Portugal