Ao longo dos anos fomos assistindo a ciclos de forte inovação que tiveram um impacto direto no mercado de trabalho e na forma como o emprego é visto.

A ameaça atual iminente são os desenvolvimentos dentro da automação e da inteligência artificial, “estima-se que 50% dos atuais postos de trabalho possam ser alvo de uma automação, seja ela feita por software ou por um robô”. A principal preocupação está relacionada com a diminuição dos postos de trabalho que estão associados a estes desenvolvimentos, segundo um relatório de novembro de 2017, produzido pela Mckinsey, existe “a possibilidade de se perderem entre 400 a 800 milhões de postos de trabalho a nível global até 2030, pelo efeito de substituição provocada pela implementação de maior tecnologia de automação na atividade das empresas, na senda de uma maior eficiência operacional.(Bravo, 2018)

Neste momento, até os setores mais importantes da economia tradicional acabam por ser alvo de novas soluções neste sentido, sendo alguns exemplos o mercado financeiro, transportes, retalho e saúde. Deste modo, a forma como o mercado de emprego funciona atualmente sofrerá inevitável alterações.

Quem sai sobretudo prejudicado é a geração de meia-idade, que é aquela que tem responsabilidades familiares maiores e uma capacidade de influenciar decisões a nível político mais elevada. Contudo, tem uma menor capacidade de adaptação a uma era completamente diferente e digital, algo que para os Millennials e sobretudo a geração Z é intrínseco e intuitivo.

Esta nova realidade automatizada irá exigir forçosamente uma adaptação aos novos postos de trabalho, fazendo com que as empresas procurem talentos com uma maior qualificação técnica e com competências mais emocionais, criativas e cognitivas.

Segundo o Fórum Económico Mundial, será cada vez mais importante valorizar as características humanas para conseguirmos competir com as máquinas. Ou seja, a criatividade, o pensamento crítico, a inteligência emocional, a capacidade de negociação e ainda a flexibilidade cognitiva, são provavelmente algumas das competências mais importantes que vão fazer a diferença num indivíduo. Tudo o que forem competências que nos permitam adaptar aos desafios que nos vão surgindo e pensar “fora da caixa” vão certamente ser um contributo importante no seu desempenho profissional.

O que é certo, é que a nova Era irá de facto dispensar a necessidade de mão de obra, principalmente nas profissões menos qualificadas, mas não vai fazer desaparecer trabalho. Esta mudança existe com o intuito de facilitar estas tarefas, reduzindo tempos, custos e até aumentando condições de segurança para os trabalhadores.

Contudo, irá existir um reajustamento daquilo que são as competências mais valorizadas no mercado, tal como ocorreu no passado aquando da revolução industrial, onde o desaparecimento de alguns postos de trabalho deu lugar ao desenvolvimento de novas funções. O mais importante é criarmos ferramentas ao nível da formação, para dotar os diferentes talentos de novas soft skills, que certamente vão fazer a diferença.

 


Joana Cunha
HR Consultant
Engineering & industry – Wyser Portugal