A crise vivenciada pelo setor financeiro em 2008 originou um maior escrutínio e, consequentemente um aumento ao nível das regulamentações. Isso fez com que as instituições financeiras aumentassem a preponderância do papel e das funções ligadas aos departamentos de compliance. Com o passar dos anos a área de compliance tem vindo a registar uma evolução considerável muito impulsionada pela inovação e pela gestão de riscos necessários numa era de transformação digital. Mas o que se pode esperar para os próximos anos?

A Accenture entrevistou mais de 150 Compliance Officers de Instituições Bancárias, Seguradoras e Empresas de Mercados de Capitais de todo o mundo e publicou um estudo que identifica perspetivas e obstáculos para os próximos anos:

Redução no headcount, mas mais investimento na área:

Em consonância com os resultados dos últimos 4 anos, 89% dos entrevistados indicaram que o investimento com a área de compliance aumentará nos próximos 2 anos. Mais especificamente, na vertente tecnológica de forma a tornar os processos mais eficazes.

Retorno dos investimentos na vertente tecnológica irá requerer mais formação:

Cerca de 76% dos entrevistados percecionam a existência de lacunas entre as skills disponíveis e as necessárias face à evolução que o setor está atualmente a passar. Os investimentos em tecnologia podem ter um retorno reduzido se os responsáveis pelas áreas de compliance não puderem implementar com eficácia as ferramentas adquiridas.

O gap existente entre as skills e os desafios com os dados analisados também podem estar a dificultar uma abordagem mais proactiva dos riscos:

A área de compliance atualmente parece estar muito focada nos principais riscos que o setor enfrenta – como o cyber risk, crimes financeiros ou fraudes – e parece não se concentrar nos riscos que estão a surgir agora, como o open banking ou a criptomoeda. Conforme o ritmo da mudança aumenta, a necessidade de passar mais tempo a olhar para o futuro torna-se um requisito básico.

As operações das instituições financeiras estão cada vez mais complexas e mais interligadas entre as jurisdições, e à medida que as regras, regulamentos e vários regimes de sanções mudam e evoluem, as instituições financeiras terão que continuar a dedicar recursos consideráveis a estas áreas e a atualizá-los de forma constante, como indicado no Anti-Money Laundering and Sanctions Compliance Survey da Alix Partners. E por isso, os players do setor capazes de manter o foco tendo em conta todas as suas alterações deverão conseguir identificar as mudanças necessárias tanto nos seus modelos operacionais, como no seu talento. Como a revista Forbes sublinhou este ano, isto será fundamental para garantir que as organizações são capazes de manter e criar funções de compliance adequadas ao futuro do setor financeiro.

 

 

Leonor Vilhena
HR Consultant – Wyser Portugal