Um estudo elaborado pela Ernst & Young intitulado de “Could trust cost you a generation of talent?” levantou questões como: “Os colaboradores confiam nas suas organizações?” ou “Os colaboradores confiam na tecnologia?”. Esta análise permitiu tirar uma fotografia do que move esta geração que vai fazer a diferença no tecido empresarial nos anos que seguem.

A Ernst & Young entrevistou cerca de 9.800 adultos com idades entre os 19 e os 68 anos e 3.200 jovens entre os 16 e os 18 anos (Geração Z) de empresas no Brasil, China, Alemanha, Índia, Reino Unido, Estados Unidos, México e Japão, para melhor compreender as percepções de confiança e o que poderia influenciar as suas futuras decisões a nível laboral.

Quais as principais conclusões que foram possíveis evidenciar a partir deste estudo?

  1. Metade dos profissionais confiam no seu empregador (46%), chefe ou equipa (49%);
  2. Os cinco principais fatores que levam a uma falta de confiança por parte dos colaboradores no que diz respeito às suas empresas são: compensações injustas de outros funcionários, desigualdade de remuneração e progressão, falta de liderança, alta rotatividade de funcionários e um ambiente de trabalho onde não exista colaboração;
  3. Os aspetos que os colaboradores consideram mais relevantes para promover a confiança por parte dos seus empregadores foram: cumprir promessas, segurança no emprego, remuneração justa e bons benefícios, canais de comunicação transparente, igualdade de oportunidades para progressão de carreira e confiança nos colegas;

 

 

Relativamente à Geração Z, os resultados do survey da E&I mostram que esta faixa etária valoriza mais a igualdade de oportunidades de remuneração e progressão na carreira, bem como oportunidades para estar constantemente a aprender. Um fator que é interessante salientar como influenciador da perceção de confiança da geração Z face aos empregadores, é o facto de a sua visão ser influenciada pela experiência de trabalho dos seus pais. Os entrevistados que evidenciaram uma perspetiva negativa sobre esta temática citaram que sentiam que os seus pais não tiveram um bom aumento durante vários anos, não gostam ou não confiam na sua chefia e não gostam do seu trabalho.

A geração Z considera que os pontos mais importantes para confiarem na sua chefia são respeito, ética, recompensam e promoções justa sem distinção (género, nacionalidade e ideais) e comunicação transparente.

Quando questionado acerca de quem confiariam para tomar uma decisão acerca de futuras oportunidades profissionais, mais de metade (58%) disse confiar na sua mãe. Este fator foi o mais evidenciado pela Geração Z em todos os 8 países.

No que diz respeito a que tipo de empresa os elementos da geração Z escolheriam para trabalhar, 48% deste grupo escolheu uma instituição com mais de 2.000 colaboradores.

 

A principal conclusão que podemos retirar deste estudo, será o foco que as empresas têm de atribuir aos elementos que fazem parte desta geração, pois existe um maior peso relativamente à componente emocional de cada colaborador.

Numa perspetiva muito pessoal considero que as empresas têm de se focar muito mais no candidato para conseguirem atingir os valores de retenção e “happiness management” que procuram. Enquanto no passado a vertente emocional não estava diretamente correlacionada com estes indicadores, a geração mostra-nos que existem fatores como a perceção da realidade laboral dos pais que pode ter impacto na sua decisão.

Tendo em conta que temos um mercado laboral mais dinâmica, ou seja, mais “candidate driven” é necessário cooperar com cada colaborador individualmente, para que seja possível reduzir os riscos de saída de talentos.

 

Engineering and Industry Wyser Portugal

Ricardo Silva
HR Consultant
Engineering and Industry at Wyser Portugal